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As Crónicas de Miralva (3º e 4º Capítulos )
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18-Jan-2010

Prosseguindo esta crónica de escárnio e mal-dizer, para
tapar silêncios, enquanto não chegam outras novas de outros viajantes, aqui
seguem mais alguns apontamentos avulsos, uma vez que a memória dos factos vai-se
perdendo.
Continuo a preferir o filme do Ettore Scola.
AS CRÓNICAS DE MIRALVA
Terceiro Capítulo
Compreendo que as ementas procurem promover a gastronomia local. Que os sabores
e a apresentação reflictam a sensibilidade e o gosto dos residentes, pela glória
das tradições mantidas, mas. .....
Mas, quem chega não conhece os termos nem a textura dos manjares, e, por uma
questão de educação e curiosidade, procura a satisfação do conhecimento, e o
prazer da experimentação.
Azar.
O desdém, a grosseria, a ironia torpe de quem nos atendeu, não sei se por
estupidez de empregado, ou sobranceria de patrão, deixa estupefacto qualquer
estrangeiro que não saiba a língua dos fsss.
Mas por favor, a alguns quilómetros, existe uma Escola Superior de Hotelaria,
deêm emprego a quem sabe receber e trabalhar. Melhor atendimento já tive, na
Feira de Custóias.
Vamos lá, vamos lá.
Para uma visualização mais real, façamos um desenho.
Imaginem, uma cabeça de suino enfiada numa camisola grossa de gola alta, até às
orelhas.
Meio bigode de centopeia encimava o beiço, e suava.
Suava, gotas gordas de gordura, que com o passar da decomposição, empestavam o
ambiente.
Pois bem, o mote estava dado.
Quarto Capítulo
Após árduas negociações dos pratos e das quantidades necessárias, ainda tivemos
oportunidade de ser brindados por mais um
porco para pérolas : "Se a comida não chegar, ... depois esperam".
OK
A próxima provação, começa com uma garrafa de água.
O design era vanguardista, a abordagem um desafio, um teste que passa de mão em
mão, só para a admirar, e tentar abrir.
A água transparente e fresca, balançava ligeiramente apertada, em tal bizarra
forma.
Mas, o que parecia futurista, era apenas uma vulgar garrafa que caira de cabeça,
e tinha a rolha enfiada como umbigo em banha de barriga.
O tempo passa e o jantar tarda. Alguns apetites já se tinham perdido. Quando por
fim o repasto chega, verificamos que é a continuação das entradas. Os mesmos
enchidos, a mesma sebenta apresentação. Alguns sabores destacavam-se, mas pela
confecção descuidada e pelo preço exagerado, não merecem o sacrifício de lembrar
tamanho pesadelo.
Arrasta-se a noite, pois a boa disposição não se perdeu, e o lugar que estava
práticamente vazio, agora está cheio, cheio e barulhento. Só com muito empenho
se conseguiu autorização para obter a factura do que comemos e do que para lá
ficou.
Sim, o que também lá ficou, foi o nosso dinheirinho bem no meio da mesa, e sem
gorjeta, pois apressamo-nos a sair rápido, rapidinho.
A noite prometia, mas algumas almas carinhosas nos protegiam, e acabamos esta
saga, a beber cházinho e petiscar pastéis de nata.
De tudo o que foi relatado, encontrei um final adequado.
(em breve num monitor à sua frente). Até lá.
Uivos Amigos.
JLeal
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| Actualizado em (
18-Jan-2010 ) |
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